Na França, um pai de oito crianças está preso devido às suas pesquisas históricas. E a dita imprensa “livre” não diz absolutamente nada sobre isso!

Nous poursuivons la publication des traductions de la pétition pour l’abrogation de la loi Gayssot-Fabius.  Voici la version à destination des lecteurs portugais, à faire suivre et à diffuser.
Sexta-feira, 6 de agosto de 2010.
Nascido em 1969, casado e pai de oito crianças, o francês Vincent Reynouard concluiu sua formação como engenheiro químico na ISMRA (Institut des Sciences de la matière et du rayonnement) em Caen. Ele se vê como um católico tradicionalista e não esconde sua visão política ultra-conservadora. Mas principalmente, ele questiona publicamente, através de DVDs e escritos, a versão clássica da história da Segunda Guerra Mundial. Ele faz parte dos pesquisadores que se intitulam “Revisonistas” e são desqualificados como “negacionistas/negadores”, porque eles não acreditam na existência das câmaras de gás para extermínio de pessoas nos campos de concentração alemães.


Em 2005, Reynouard redigiu e enviou para organizações sindicais, museus e ao prefeito um folheto de 16 páginas com o título “Holocausto? O que eles escondem de vocês”, onde ele aborda a posição contrária da historiografia oficial. A justiça francesa caiu imediatamente em cima dele.


Na primeira instância, em 2007, ele foi condenado pelo tribunal de Zabern (departamento Niederrhein) a um ano de prisão sem condicional, 10.000 Euros de multa e 3.000 Euros de indenização à LICRA (Ligue Internationale Contre le Racisme et l Antisémitisme). Na apelação, o tribunal de Kolmar confirmou a pena de prisão e a uma multa total de 60.000 Euros (20.000 Euros de multa mais despesas de processo e taxas diversas). Um caso inédito.


Como Reynouard mora na Bélgica, a França expediu contra ele um mandato de prisão europeu, para obrigá-lo a cumprir sua pena de regime fechado fixada pelo tribunal de Kolmar. No último dia 9 de julho, ele foi atirado na prisão pela polícia belga e aguarda sua deportação para a França. Fica claro a qualquer um: “Se usam da prisão para se livrar de seu oponente, é porque já não existem mais argumentos”.


Conclusão: um pai de 41 anos, pai de oito crianças, está preso neste momento por causa de suas pesquisas históricas, e isto devido à Lei Gayssot.


Esta lei, publicada no diário oficial da República Francesa a 14 de julho de 1990, proíbe em seu artigo 24bis, o delito de “questionar a existência de um ou mais crimes contra a humanidade, como definidos através do artigo 6 do estatuto do Tribunal Militar Internacional (também conhecido como Tribunal de Nuremberg) em ligação com o Tratado de Londres de 8 de agosto de 1945.”


Em meu livro, Sarkozy, Israel e os judeus (Sarkozy, Israël et les juifs, Oser dire, 2009), eu lembrei que esta lei que suprime a liberdade é criticada de forma contundente por personalidades como Simone Veil da Academia Francesa, Hélène Carrère d´Encause, secretária vitalícia da Academia Francesa, o ministro Jean Foyer, Jacques Toubon e Alain Peyrefitte, o historiador Henri Amouroux, Pierre Vidal-Naquet, Annie Kriegel, François Furet, Alain Besançon, Jacques Willequet e François Bédarida, a fundadora do Instituto Hannah Arendt Chantal Delsol, o prêmio Nobel de economia de 1988, Maurice Allais, os escritores Michel Tournier, Louis Pauwels, Michel Houellebecq, Philippe Muray, Jean Daniel, Vladimir Volkoff, Michel Rachline e Alain Robbe-Grillet, os promotores públicos Philippe Bilger, Alain Marsaud e Raoul Béteille, os juristas Olivier Duhamel, Anne-Marie Le Pourhiet, Emmanuelle Duverger, André Decoq e Guy Carcassonne, os advogados Jacques Vergès e John Bastardi Daumont, o filósofo Paul Ricoeur, o humorista Bruno Gaccio, os defensores da liberdade de expressão como o fundador do Repórteres sem Fronteiras Robert Ménard (que a condena como uma “polícia depensamento”) e Gabriel-Cohn-Bendit, os jornalistas Dominique Jamet, Delfeil de Ton, Alain Rollat, Albert du Roy, Philippe Tesson, Jacques Julliard e Ivan Rioufol ou também a antiga diretora da Liga pelos Direitos Humanos, a historiadora Madeleine Rebérieux.


No estrangeiro, o lingüista norte-americano Noam Chomsky se declarou como claro opositor, Para o físico belga e intelectual Jean Bricmont, a Lei Gayssot é “um retrocesso jurídico de vários séculos”. Os presidentes Hugo Chávez e Mahmoud Ahmadinejad já condenaram veementemente esta repressão.


Nós nos vemos obrigados a defender a liberdade de expressão não apenas na teoria, mas também na prática. Por que não se ouve ninguém reclamar publicamente sobre a situação de Vincent Reynouard? O que fazem os Repórteres Sem Fronteiras, a Anistia Internacional e o Human Rights Watch? Nenhum órgão de imprensa, nem francesa nem internacional, informou o público sobre estes fatos. Tal silêncio não é normal.


Pessoalmente, eu me decidi reagir como historiador e cidadão e a informar através deste comunicado, como eu estou indignado por este fato: no nosso meio, um homem vai para a prisão por causa de suas opiniões, indiferente quão estranhas, surpreendentes e controversas elas possam ser. Tal comportamento não é digno da França e sua tradição intelectual. A lei não tem nada que se intrometer na busca pela verdade histórica. Num país livre, esta função pertence aos historiadores. A Lei Gayssot, que limita a liberdade dos pesquisadores, é contrária ao pensamento de um Estado democrático. É uma lei criminosa. Eu exijo portanto sua revogação imediata.


Eu espero ser seguido por dúzias, centenas, milhares de outras pessoas, que não podem ficar indiferentes diante deste escândalo, que tanto prejudica a imagem da França e desvirtua o espírito da República.


Aqueles que quiserem assinar este comunicado, podem enviar seu nome e endereço para o seguinte correio eletrônico: eugenie.blanrue@laposte.net. Não se trata de apoiar a idéias religiosas, políticas e históricas de Vincent Reynouard, mas sim seu direito de defesa, de poder se expressar. Para contradizê-lo basta realizar um debate democrático, aberto, livre e justo.


Nós iremos divulgar a posição do abaixo-assinado no início de setembro. Até lá, eu peço a ampla divulgação deste texto.


Paul-Éric Blanrue
Historiador

Fundador do Círculo Zététique

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